TARIFAÇÃO #5

TARIFAÇÃO #5

Este artigo faz parte da série de cinco artigos sobre tarifação que foram realizados pelos nossos especialistas da SYSTRA em quatro continentes: Cingapura, Reino Unido, Austrália, Brasil e França.

Como tornar o transporte mais verde?

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1. FICAR SEM CARRO?

Nas cidades centradas no carro, o MaaS pode ajudar as pessoas a migrarem da posse de veículos particulares para a mobilidade compartilha utilizando opções como táxis, táxis por aplicativo, compartilhamento de carros e ônibus sob demanda.

Para algumas pessoas, o MaaS será suficientemente atraente para que que deixem de possuir um veículo permanentemente. Para outras, o MaaS é considerada uma alternativa viável a possuir um segundo veículo, utilizado com menor frequência.

Em cidades já mais centradas no transporte público, o MaaS pode incentivar uma migração modal de modos coletivos de baixa ocupação (por exemplo, táxis convencionais ou por aplicativo) para o transporte coletivo de alta capacidade (por exemplo, ônibus, bonde, trem), reduzindo assim ainda mais sua pegada de carbono (Hensher et al, 2021).
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2. GOVERNANÇA, UMA QUESTÃO CENTRAL ENVOLVENDO MAAS

Com tantos atores envolvidos em um ecosistema MaaS, não é surpresa que a governança seja um tópico importante. Entretanto, para que o MaaS seja implantado de forma eficiente e complementar à rede de transporte público, isto requer que o Poder Público exerça um papel central.

O MaaS oferece, portanto, uma oportunidade de incentivar o uso de veículos com emissões zero e infraestrutura de tarifação baseada em energia renovável. Uma vez que essas tecnologias e a infraestrutura estejam suficientemente difundidas, as políticas de implantação MaaS também poderiam migrar para a imposição de opções de transporte sustentáveis, em vez de incentivá-las.
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3. A DESCARBONIZAÇÃO DA REDE DE TRANSPORTE

Um dos aspectos mais interessantes do MaaS é como ele deve ser projetado para modificar o comportamento das pessoas e suas preferências de viagem. Além de mudar as perspectivas das pessoas sobre o uso de veículos particulares, o MaaS também pode ajudar a tornar a rede de transporte “mais ecológica”, permitindo e incentivando um maior uso de meios de transporte ativos, como a pé ou de bicicleta.

Por exemplo, um teste em Gothenburg concedeu ’pontos’ aos clientes por cada tonelada de emissão de CO2 que foi evitada por meio do uso de modos de transporte sustentáveis (UbiGo, 2014), sendo os pontos resgatáveis por vários bens e serviços.
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4. SUAVIZAR O USO DO TRANSPORTE PÚBLICO

O transporte público precisa ser dimensionado para gerenciar picos diários de demanda, criando uma ineficiência inerente. A precificação do MaaS, portanto, cria uma oportunidade única de ferramenta de atendimento à demanda para encorajar uma mudança para viagens fora de pico, suavizando os picos de demanda.

A maior flexibilidade nas práticas de trabalho proporcionada pelo Covid-19 significa que esta se torna uma oportunidade mais viável e, de fato, mesmo no período pré-Covid a cidade de São Francisco já havia implementado um esquema similar por meio da precificação de acordo com a demanda em parquímetros (SFMTA, 2017).

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5. TRANSPORTE MAIS SUSTENTÁVEL

Finalmente, e combinando vários dos temas acima, sugerimos que uma rede de transporte se torne mais verde, por meio da redução do número de equipamentos necessários para transportar as pessoas para onde elas precisam estar, o que significa mais espaço nas cidades para parques, árvores e modos de viagem ativos.

Portanto, o MaaS corrobora com este objetivo por meio das ações discutidas - reduzindo a propriedade de veículos particulares, aumentando a participação de viagens em transporte de massa na matriz modal, incentivando modos de viagem ativos e suavizando os períodos de pico do transporte público.

Não há dúvida de que o MaaS é uma resposta futura sustentável para os problemas do transporte público.
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O AUTOR

Michael Gregorevic é Engenheiro, reside em Melbourne e ingressou na SYSTRA em 2020 após 17 anos na Indústria Automotiva. Atualmente, Michael lidera serviços de consultoria em toda a Austrália e Nova Zelândia nas áreas de inovação e novos serviços de mobilidade, tais como Transporte de Emissões Zero, Transporte Autônomo, Mobilidade Inclusiva e MaaS. Michael gosta de escrever artigos sobre inovação em transportes em seu tempo livre, e é um vencedor do programa de empreendedorismo interno Spark Challenge da SYSTRA.

-  Veja também a versão em inglês desse artigo no link abaixo.
https://www.systra.com/en/expert_insights/tarification-5-making-transport-greener/

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